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By tecnicoemagropecuaria.blogspot.com

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9 de dezembro de 2011

Beat Ernst Leuenberg


É comum nos dias de hoje, estudantes (fundamental e médio), utilizarem a internet como única fonte de pesquisa para elaborarem trabalhos estudantis (usamos muito deste recurso!). Não restam dúvidas, tratar-se de uma ferramenta útil e que muito facilita na hora das pesquisas, no entanto, há uma preocupação quanto aos artigos publicados, que muito das vezes não são de fontes seguras ou estão incompletos e repetitivos, inclusive, não citando os seus reais autores. Logicamente, em alguns casos, não são intencionais e que na verdade, não há desrespeito autoral, mesmo que contrárias à lei e a falta de ética. As matérias publicadas (artigos científicos) são colaborativas e muito auxiliam aos estudantes de uma forma geral, estes textos em arquivos p.d.f ou em “doc.”, bem como, escritos simples, torna-se de domínio público e passam ser importantes para a educação do país, até porque, seus autores, publicam seus artigos em sítios específicos ou em seus próprios espaços (sites e blogs).
Já confidenciamos aqui, que nosso aprimoramento estudantil partiu justamente consultando e estudando estes textos. No inicio tínhamos dificuldades, pois não tínhamos discernimento á intender ricos trabalhos e citações científicas. As cansativas leituras muito contribuíram, mas que a orientação de meus professores para a atenção aos trabalhos e oferecer respeito aos autores e fontes; foram muito mais importantes, pois foi assim, que passamos a não pecar e ficar restrito apenas a midia digital e passamos a “conferir” as íntegras literárias (em livros), bem como, a vida e obras de seus autores.
Esta razão nos surgiu, em uma frase dita em plena sala de aulas, em seminário, por um professor (carrancudo, no entanto, metódico), quando atento e conferindo aos nossos trabalhos apresentados: os contextos eram incompletos, confusos e inadequados para os temas propostos. As nossas fontes de pesquisas eram puramente da internet, por vezes, única, para todos os grupos formados. Ele repudiava com um conselho dado: “se tiverem dificuldades, consultem também a www.bibliotecavelha.com.br”. Essa frase nos incomodou, muito! As dificuldades perduraram por algum tempo, pois nem todos os assuntos estavam contidos em livros ou não estavam disponíveis. Motivo para a idealização deste site (blog).
Então, além de consultar em livros os assuntos propostos, passamos mostrar interesse também, por conhecer com detalhes os autores. Esse interesse, talvez, foi a maior complementação em nossos conhecimentos e que muito reforçou no sucesso do Blog “Agropecuária e Agroecologia”. E conforme prometido, a cada mês faremos uma postagem lembrando e homenageando uma figura importante do mundo cientifico.
Elaboramos uma lista cronológica e tínhamos em mente obedecer de acordo com o planejado, no entanto, resolvemos iniciar com o Botânico Beat Ernst Leuenberg (Bata Leuenberg), que é a maior e mais importante fonte de pesquisa utilizada para o livro “ORA-PRO-NOBIS: a carne de pobres” de nossa autoria. O Drº Leuenberg foi um notável estudioso das cactáceas, com trabalhos monográficos, revisões, tipificação e história taxonômica, principalmente do gênero Pereskia. Nascido em 27 de agosto de 1946 em Burgdorf, na Suíça e já aposentado, lamentavelmente, faleceu em Berlim em maio de 2010, depois de um período de enfermidade. De renome mundial, nos últimos anos foi curador do Jardim Botânico e Museu Botânico de Berlim-Dahlem. Ele era um especialista, sobre tudo, para as plantas Cactáceas. Ele foi casado com a também à botânica Silvia Arroyo do qual dividiu alguns trabalhos científicos.

Nossa próxima postagem será sobre Beat Ernst Leuenberg, figura importante do mundo cientifico. Aguardem!

25 de novembro de 2011

Agropecuária e Agroecologia: Aos leitores do blog

Pedimos desculpas aos nossos seguidores e leitores desse blog, pois desde a segunda quinzena de outubro não publicamos. Não se esgotaram os assuntos! Muito pelo contrário, devido aos inúmeros e-mails solicitando continuação e para outros assuntos, mas, que carecem de pesquisas e autorização de algumas fontes, resolvemos nos organizar e fazer um cronograma dos assuntos e depois dar seguimento nas postagens, mesmo porque, o nosso público se diversificou, antes eram apenas estudantes de ensino médio e técnico das áreas de agropecuária, agroecologia, meio ambiente e atualmente detectamos através dos comentários e e-mails enviados: professores, alunos de outras áreas (inclusive de curso superior: agronomia, zootecnia e veterinária) e outros que não citaram a formação.
Alguns assuntos foram motivos de polemicas e contestações, como no caso de “Novas Andanças: Tração Animal”, onde falamos dos municípios de Queimados e Nova Iguaçu e no entanto, deixamos por derradeiro, falar sobre os equídeos da Ilha de Paquetá, pois a Cidade do Rio de Janeiro tem lei especifica (Lei nº 3.350 de 28/12/2001) para disciplinar a circulação no âmbito do município os veículos de tração animal. A Ilha de Paquetá tem essa atividade para fins turísticos e as irregularidades de manejo são puramente por falta de fiscalização. Nossa “curiosidade” foi apenas com a alimentação dos animais, diante da pequena extensão da ilha e queríamos saber da existência, de alguma forma, área de descanso e pastejo, mesmo porque, a ilha tem o seu patrulhamento por policiais montados a cavalos e diante da repecursão dos assuntos dos outros municípios citados resolvemos retornar a ilha para mais pesquisa e incluir também os animais que trabalham no patrulhamento e isso precisa de autorização oficial.
Quanto aos outros assuntos pendentes, tais como: ervas medicinais, acidentes com máquinas agrícolas, também está na fase de publicar e são assuntos que colocaremos em outra página do blog, tendo em vista, a complexidade e o grande conteúdo, no qual incluiremos relatos de entrevistados que abordarão os assuntos.
Nesse cronograma dos assuntos, estará uma novidade. Uma vez por mês publicaremos uma postagem com homenagem de importantes e ilustres personalidades, que se destacaram e se destacam em agroecologia; biologia; manejo e nutrição animal, exemplos:  Francisco Freire Allemão de Cysneiros, Ana Primavesi, André Voisin e Nelson Papavero, em fotos abaixo:



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



19 de outubro de 2011

ORA-PRO-NOBIS – A carne de pobres (O livro)

Angú com carne moída (Foto de João Felix/Rio)


Tenho recebido alguns e-mails contestando o provável ineditismo do livro “ORA-PRO-NOBIS – A carne de pobres”. Esse fato não tem nos preocupado e nem foi a nossa intenção, no entanto, cabe aqui esclarecer, que a verossimilhança é possível, em relação a outras obras escrita e que tenha caráter popular e linguagem simples, mais que na verdade, não tivemos a oportunidade de encontrar e apreciar estas. Cabe aos que contestam citarem e divulgarem nomes das obras e seus autores, no que valorizaria as obras existentes e que não estão nas bibliotecas ou mídias. Outro fato, que também cabe esclarecer, que “ORA-PRO-NOBIS – A carne de pobres”, não é um livro de receitas, por isso, está no item (link) “Agropecuária” e não em “Culinária”, no portal do CLUBE DE AUTORES.

A inspiração para escrever o livro, prendeu-se ao fato, da carência de escritos populares que abordem assuntos exclusivamente da planta Ora-pro-nobis (Pereskia aculeata), se não, escondido em artigos com linguagem científica, que a maioria da população não tem acesso, até porque, muitos estão contidos na mídia digital (arquivo em pdf. ou opiniões de blogs e sites com conteúdos culinários), inclusive, não intendem o contexto dos escritos com termos técnicos e que alguns estão em outras línguas: inglês e espanhol, além de não terem acesso à tecnologia digital (internet).

A justificativa é notória, pois tivemos dificuldades para encontrar em um único espaço (livro), assuntos que falem exclusivamente dessa planta, que é usada na alimentação no interior mineiro, que vem despertando interesse gastronômico e progressivamente pela comunidade cientifica, e no momento, a existência do vegetal está contida tão somente e atrelada em “causos’ e lendas não comprovadas, mais que valoriza e engrandece a cultura de um povo, sobre tudo, na cidade de Sabará, região metropolitana de Minas Gerais.

O real interesse para pesquisar a planta ora-pro-nobis, no inicio, foi buscar escritos que contivessem dados sobre o uso desse vegetal para a alimentação animal, esse era nosso interesse na pesquisa e não encontramos. Mais diante de tantos fatos e autores, foi despertando interesse em outras leituras, onde surgiam figuras e locais históricos, que não podíamos deixar de citar.

Exemplos que nos inspirou, estão frases, populares e cientificas que citam a Ora-pro-nobis, como:

Os grandes inventos da pobreza disfaçada...”, num fragmento na obra Estórias da Casa Velha da Ponte, de CORA CORALINA;

“hortaliças não convencionais, são cultivadas de forma marginal e rudimentar” (KINUPP, 2006);

a cultura de hortaliças, passou a ter grande importância na formação da base alimentar e cultural brasileira e o cultivo de algumas, ainda hoje, estão apenas associado a populações tradicionais, que para EYZAGUIRRE et al. (1999) e IPGRI (2006), definem como “culturas negligenciadas” (aquelas cultivadas primariamente em seus centros de origem) ou “culturas subutilizadas” (aquelas que já foram largamente utilizadas e que caíram em desuso devido a fatores agronômicos, genéticos, sociais, culturais ou por desinteresse econômico)".

Logicamente, não poderiamos deixar de dar atenção as literaturas sobre os hábitos alimentares, desde o Brasil colônia, mais que não cabia nos alongar, diante de tantos e belos escritos sobre o tema, como por exemplo: “a de que no século XVII, a descoberta de metais preciosos na colônia não melhorou as condições de alimentação do brasileiro. As levas de homens em direção às Minas Gerais apenas deslocaram os problemas da costa para o interior. Com o aumento vertiginoso da população, aquela região enfrentou um grave desabastecimento, que resultou numa alimentação pobre e deficiente”.

Em tempo ainda, justifico, o provável INEDITISMO de ORA-PRO-NOBIS – A carne dos pobres ( O livro), viria valorizar muito mais o trabalho dos professores da Instituição de Ensino, do qual sou oriundo (ex-aluno), que é o CTUR/UFRRJ, pois foi por influência deles, com interdisciplinaridade e transdisciplinaridade (contida na grade curricular), que passamos a entender o que são temas transversais, fazendo-me ser capaz (mesmo sem formação pedagógica) de buscar e abordar a pluralidade cultural em um simples vegetal, que no momento, permanece “detido” em valor cultural de uma única região.

E para fechar aqui a nossa justificativa, mostramos preocupação com a “educação” de dois de meus netos, que são mineiros natos e estudantes de ensino fundamental na Cidade de Sabará, que sequer ouviram dos professores, em aulas de História, mesmo em pequenas abordagem, assuntos que valorizem as suas raízes culturais, estampado em um simples prato de “angú com ora-pro-nobis”.

Coelho com ora-pro-nobis (Foto de Claudio Olivier/PR)



João Felix Vieira

Autor desse Blog e do Livro ORA-PRO-NOBIS: A carne de pobres

Disponível em: https://www.clubedeautores.com.br/book/144184--ORAPRONOBIS#.WcJoBPOGPZ4

8 de outubro de 2011


"Se hoje fosse o último dia de minha vida, queria fazer o que vou fazer hoje? E se a resposta fosse não muitos dias seguidos, sabia que precisava mudar algo."
(Steve Jobs)


O adeus de um sábio.

4 de outubro de 2011

Lançado pelo Clube dos autores, o livro Ora-pro-nobis, a carne dos pobres.


A necessidade de se descobrir alimentos alternativos para o combate à fome na população de baixa renda, é assunto que tem recebido atenção no mundo nos últimos anos, sobretudo, no Brasil.
Algumas plantas comestíveis já apresentam fácil disponibilidade, com baixo valor de mercado, outras ainda, não tão popularizadas, vem se destacando em vários estudos cientifico.
As hortaliças não convencionais podem constitui alternativas para populações carentes, por serem boas fontes de nutrientes e curas de enfermidades, é o caso da Ora-pro-nobis. Cactácea que vem merecendo atenção especial por seu alto valor nutritivo e vem sendo utilizada em pratos típicos da culinária e na medicina popular em algumas regiões do Brasil, principalmente no interior mineiro.
A falta de informação por parte da população no resto do país, o desconhecimento quanto ao valor nutricional e modo de preparo, faz com que o consumo seja reduzido, tendo em vista que a Ora-pro-nobis, é uma cactácea com característica diferente em relação às demais hortaliças, com sua forma arbustiva espinhosa, no que leva desconfiança e medo ao consumo.
Conhecida como “carne de pobre” pela alta concentração de nutrientes, é carinhosamente chamada de lobrobo, essa planta tem seu próprio festival gastronômico na cidade de Sabará em Minas Gerais.

Com Prefácio da Professora Doutora Sandra Barros Sanchez do Colégio Técnico da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, o livro “ORA-PRO-NOBIS - A Carne dos pobres” pode vir a contribuir com uma linguagem simples, aos apreciadores de plantas e comidas típicas; estudantes de agropecuária e de agroecologia, tendo em vista, que muita coisa escrita acerca da flora brasileira, condensada em livros ou esparsa em periódicos, na sua grande maioria, é de difícil aquisição ou consulta.

As informações popularizadas (somente na mídia digital) talvez contribuam de alguma forma, no entanto, é preciso que as literaturas se expandam e cheguem às mãos de estudantes na forma de livros, pois nem sempre informações de artigos técnicos e/ou de linguagem simples chegam a lugares em que a tecnologia ainda não chegou.
Essa é a proposta de “ORA-PRO-NOBIS - A carne de pobres”, divulgar e opinar sobre a importância econômica desta bela e nutritiva planta espinhosa.

Para adquirir o livro, acesse o link abaixo:

http://clubedeautores.com.br/book/99601--ORAPRONOBIS

15 de agosto de 2011

Novas andanças: Tração animal – Ilha de Paquetá (Parte I)


Chegada de capim em Paquetá vindo do município de São Gonçalo

Quando decidimos escrever a série Nova andanças: Tração animal, a priori, era falar especificamente sobre a alimentação dos animais. Mais, diante do que vimos, às questões socioeconômicas e culturais dos trabalhadores com veículos de tração animal, acabou por provocar outros comentários, no qual tivemos que dividir e intensificar, inclusive, por áreas regionais, no que facilitou a entender perfis distintos de atuação dessa atividade. Na verdade, não era nossa intenção, entrar em questões que pudessem polemizar, pois, muitos dessas questões seriam de ordens cientifica e públicas e, que em nossas palavras, poderiam deixar entender em algumas questões o sentido de denúncia, diante do estado físico dos animais. Muitos foram às irregularidades que assistimos, principalmente, a falta de bem estar dos animais. Deixamos de entrar aqui, em alguns méritos, pois teríamos que ser especialistas para fazer certos comentários. Tentamos simplificar esses comentários, tão somente no limite de nossa formação técnica, no qual tivemos em alguns momentos, estudar e fazer citações de autores, para melhor explicar as nossas “visões” e opiniões.
Quando falamos sobre ações sociais necessárias, para atender os atores da atividade de carroceiros e charreteiros, também mostrávamos preocupação com os animais, pois essas ações devem ser simultâneas e para ser justo na verdade, urgentes para os animais, diante do martírio diário e a sobrevida desses bravos equídeos “trabalhadores”.
Em nossas andanças, não assistimos preocupação com a boa alimentação dos animais. O incorreto manejo alimentar, sem dúvidas, foi o mais preocupante, pois essa incorreção provoca a redução e o desenvolvimento e a manutenção do sistema musculoesquelético saudável dos animais, em qualquer fase de vida ou atividade e predispõe o surgimento de patologias, isto é fato e cientifico.
Segundo Meyer (1995), os equinos em atividades de tração, como esses que exercem grande trabalho muscular, necessitam de alterações na formulação de dieta. Lewis (2000), afirma que é importante observar a dieta desses animais para que alcancem as exigências energéticas necessárias.

Assistimos equídeos se estafando em longas jornadas de trabalho, sem preocupação sequer com pausas para alimenta-se e o merecido descanso. Hontang (1983), diz que alguns cavalos de tração comem depressa e assimilam mal o alimento. A falta de apetite, a queda do estado físico geral, a estafa e fadiga dos membros são indícios de trabalho exagerado e alimentação inadequada.

Deixamos por derradeiro, falar sobre os equídeos da Ilha de Paquetá, pois a Cidade do Rio de Janeiro tem lei especifica (Lei nº 3.350 de 28/12/2001) para disciplinar a circulação no âmbito do município os veículos de tração animal. A Ilha de Paquetá tem essa atividade para fins turísticos e as irregularidades de manejo são puramente por falta de fiscalização. Nossa “curiosidade” foi apenas com a alimentação dos animais, diante da pequena extensão da ilha, e queríamos saber da existência, de alguma forma, área de descanso e pastejo dos animais.





6 de agosto de 2011

Novas andanças: Tração animal – Carroceiros de Nova Iguaçu (Final)



Devemos antes de iniciar este post, desculpar-nos pelo longo período sem concluir a matéria sobre os carroceiros de Nova Iguaçu.

Depois de nossas andanças, além de difícil, foi preciso fazer uma análise do que assistimos e do que apuramos, tentando reduzir e selecionar coisas que poderíamos dizer aqui. Digo “coisas”, não no sentido de denegrir ou qualificar a atividade de carroceiro daquele município, como troço ou objeto qualquer. Se fossemos adjetivar sem usar a consciência social e mostrar preocupação somente com os animais, o que vimos e para encerrar essa série, seria simples e com poucas palavras: deprimente, monstruoso e injustificável. Logicamente estes adjetivos seriam direcionados aos comportamentos dos maus utilizadores dos animais, pois eles, de alguma forma são racionais.
Como falamos anteriormente aqui, procurar intender o crescimento e a desordem na utilização de animais como força de tração no Município de Nova Iguaçu, é nos deparar com fatores preocupantes, dentre eles, a atividade como única fonte de sobrevivência. É visível a desordem e não podemos considerar como cultural e o município por não ordenar, perde essa importância econômica. É vergonhosa a desvalorização da identidade social, no que concerne a atividade de carroceiros de Nova Iguaçu.
Impossível numerar a quantidade do conjunto (animais e homens) nessa atividade dentro do município. Não há preocupação social, por parte do poder público; não há preocupação com o bem estar dos animais, nem tão pouco, limite geográfico, pois os animais fazem longas jornadas com pesadas cargas, ultrapassando por vezes, limites intermunicipais.
Abordar os carroceiros foi tarefa difícil, muitos foram arredios e não quiseram falar sobre o assunto. Alguns até agressivos e sabíamos as causas do comportamento. Desses, a maioria eram trabalhadores de lojas de materiais de construção. Dos que concordaram em falar, mostraram apenas preocupação com os seus “empregos”. Quanto a suas “ferramentas” de trabalho (os equídeos), alegaram ser problema dos patrões (donos dos animais).
Outros, além do despreparo educacional (90% entre eles), mostraram inconsciência e menosprezo com a covardia da sobrecarga de trabalho, promovendo sofrimento aos animais. Um “prato feito” para o radical ativismo contrário a utilização de animais de cargas, pois estes ativistas, não levam em conta sequer a falta de educação.
Qualquer trabalhador cuida de suas ferramentas a melhor produzir e mostrar o seu profissionalismo, preservando seu emprego. E quando essa “ferramenta” tem vida, devemos ter preocupação e preservar o seu bem estar. Portanto, não aceitamos argumentos de que “é proprema do patrão”.

Mesmo sabendo das deficiências nas ações sociais, não podemos ignoramos a nossa formação técnica e devemos descortinar a desoladora e cruel rotina dos animais. Não são aceitáveis os argumentos dos proprietários ou dos condutores, de que os equídeos são trabalhadores como outro qualquer.

Não precisa ser especialista a entender que os animais de tração de Nova Iguaçu, sobretudo os utilizados e de propriedade de lojistas de materiais de construção, precisam urgentemente de ações de proteção. Generalizamos as más condutas, mais para minimizar, seria preciso que encontrássemos um grupo que mostrasse essa preocupação ou que tivesse tradição na atividade e que pudesse ser considerado como cultural, mais não encontramos.

Também não encontramos animais vívidos. Sempre esquálidos e com rotina invariavelmente permeada pelo padecimento, carregando materiais diversos (areia, pedra, cimento, tijolos, entulhos, etc.). Após o longo dia de trabalho, não é oferecido instalações justas e confortáveis para o descanso. Quanto à alimentação, sequer podemos dizer ser adequadamente nutritiva, para repor a energia gasta e esperar uma dura rotina de trabalho no dia seguinte.
A desculpa para o crescimento e utilização de carroças com tração animal para as entregas de materiais de construção, são os custos de manutenção de veículos automotores e os difíceis acessos às novas comunidades e loteamentos nos bairros. Não aceitamos tais desculpas, pois a maioria das lojas está localizada em áreas urbanas com ruas pavimentadas.
Não foi possível traçar perfil da atividade de Carroceiros de Nova Iguaçu, em nenhum aspecto. O que podemos dizer para concluir, é que são necessárias urgentemente, ações preventivas mediante a celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta por parte do poder público do município. Antes, porém, devem ser vistos e revistos normas da existência de proteção de animais em serviços de tração em Nova Iguaçu, porque não se pode acabar com a labuta desses animais, sem resolver o problema da exclusão social que aflige pessoas que recorrem aos veículos de tração animal, como meio de transporte ou trabalho.

Ações preventivas viriam contribuir, para minimizar ou promover, opções viáveis para mudar aquele triste estado de coisas, inclusive, nessas ações, possibilitaria capacitação profissional dos carroceiros, incluindo-os em programas assistenciais e garantir escolaridade para seus filhos, futurando desenvolvimento da consciência ambiental.

Nota: Resolvemos não colocar aqui fotos dos animais que trabalham em lojas de materiais de construção.

30 de junho de 2011

FÓRUM DE DEBATES - CTUR

Com a Agricultura Familiar ganhando novas oportunidades e com a vigência da Lei nª 11.947/2009, no qual obriga os e Estados e Municípios a gastarem pelo menos 30% dos recursos que recebem do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) na aquisição de alimentos produzidos por agricultores familiares e que devem ser destinados a “merenda escolar”, várias ações e discussões vem sendo realizados para melhor adequar a aplicação deste recurso, contribuindo no desenvolvimento local, na segurança alimentar e nutricional nos municípios.
Com essa preocupação, para reforçar e corrigir as ações já existentes para melhor êxito desta politica publica é que foi realizado no dia 29 de junho de 2011, no Pavilhão Central da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – Salão Azul, “O FÓRUM DE DEBATES - ALIMENTAÇÃO ESCOLAR: UMA OPORTUNIDADE PARA A AGRICULTURA FAMILIAR”, com a Coordenação do CTUR (Colégio Técnico da UFRRJ), MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) e EMBRAPA (Unidade Organizadora – Embrapa Agroindústria de Alimentos) e contando com parcerias importantes, como: INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA FLUMINENSE; COLÉGIO ESTADUAL AGRÍCOLA DE CAMBUCI; EMATER-RIO; SENAR; SISTEMA FIRJAN; SECRETARIA DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, PESCA E ABASTECIMENTO DO RJ e SUPERINTENDÊCIA FEDERAL DA AGRICULTURA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.
Com presença e voz de representantes destes órgãos, Entidades representativas da Agricultura Familiar e Orgânica, Professores, Nutricionistas; Técnicos e Estudantes das áreas da Agropecuária e Agroecologia, o evento contou com 120 participantes, teve a abertura do Professor e Diretor do CTUR Ricardo Crivano Albieri; Renata Torrezan da Embrapa Alimentos e Jaime Muniz, Delegado Federal do MDA no Rio de Janeiro, e se desenvolveu durante todo o dia, com uma série de discursões e depoimentos, onde foram debatidos assuntos relacionados e “preocupativos” nas questões da Aplicação dos Recursos; Qualidade e Distribuição dos Alimentos; Ações e Programas Sociais; Inspeção, Vigilância e Fiscalização Sanitária; Comercialização e Classificação dos Alimentos produzidos; Boas Práticas Agropecuárias para a Agricultura Familiar, Ampliação da Divulgação das Chamadas Públicas; Deficiências nas ATER; bem como, as dificuldades de produtores adquirirem as DAPs (Declaração de Aptidão de Produtor).
Em Mesa Redonda e nas Plenárias, discutiu-se a Quantidade e Qualidade requeridas pela Educação para a “merenda” (alimentação) Escolar, a Organização dos Produtores para a venda de produtos e ainda, da comercialização de produtos de manejo convencional e orgânico.

Além do interesse de divulgação de assuntos de interesse estudantil, nossa participação no Fórum, enquanto Técnico em Agropecuária, teve o objetivo em opinar e mostrar preocupação da possível exclusão de produtores familiares no fornecimento de alimentos produzidos e destinado à alimentação escolar, tendo em vista, o grande aumento de terceirizações em setores estratégicos da administração pública, sobretudo, no fornecimento, transporte e manipulação de alimentos nas unidades escolares. Nessas terceirizações já ocorrentes em unidades hospitalares, (exemplo na Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro), prestigiam “empresas” que recebem pelos serviços prestados, de péssima qualidade (tanto para pacientes, como para funcionários), com empregados incapacitados para o setor e que compram produtos alimentícios “melhor faturado” de outras empresas que estão ligadas a grandes produtores ou atravessadores que não tem compromissos ou que possa prestigiar, na compra direta, o pequeno e agricultores familiares. Nessas terceirizações fatalmente chegará às unidades escolares, comprometendo assim, a finalidade da Lei nº 11.947, no que pode, de forma definitiva, a exclusão de agricultores familiares e comunidades tradicionais, no desvio dos 30% dos recursos destinados a estes, conforme determinada os artigos nº 18 da lei e do artigo nº 14 da resolução nº 38.
Nosso blog se fez presente e destacou a apresentação da Drª e Prof.ª Sandra Sanchez, que fez breve histórico da existência do CTUR, do qual é a atual Vice-Diretora, mostrando a importância dos cursos técnicos oferecidos e administrados pela instituição, preocupação e desejo de se expandir capacitações e inclusões de profissionais nas comunidades produtoras dos municípios vizinhos da Universidade Rural do Rio de Janeiro.

O nosso maior destaque na participação do evento, divulgação e assuntos de interesse estudantil, foi registrar a participação de Alunos Estagiários (foto a baixo) dos Cursos Técnicos de Hospedagem, Agroindústria e Hotelaria do CTUR: Camila, Lorrana e Raphaela (Turma 71/81) e Priscila, Gabriella, Jhonatan, Thaís e Jaime (Turma 92), dando apoio na recepção e reforçando, na prática, o aprendizado profissional.




9 de junho de 2011

Novas andanças: Tração animal – Carroceiros de Nova Iguaçu (Parte III)


Em todas as cidades do Brasil é possível perceber que carroças (por tração animal), infelizmente, fazem parte da paisagem, promovendo por vezes, acidentes com automóveis. É possível ver também, animais soltos pelas estradas, pastando ou doentes e acabam sendo atropelados. Iniciativas podem melhorar as condições de trabalho e de vida dos carroceiros e de seus animais, evitando assim acidentes e valorizar esse digno trabalho.
E é o que muitas prefeituras tentam fazer, promovendo ações e com resultados até satisfatórios, através de projetos multidisciplinares, no que valoriza e melhora a vida dos carroceiros, inclusive, alcançando valor social no local. É preciso politicas públicas adequadas que visem o contexto de pobreza econômica e exclusão social em que vivem os donos dos animais de tração, que realizam um trabalho pressionado por ativistas contrários ao uso de animais, com o pretexto que as populações são expostas a um quadro de elevada degradação ambiental, com a formação de lixões em áreas urbanas e que esse tipo de trabalho também impõe aos animais uma vida de castigos, privações e maus tratos. É preciso também, que projetos saem do papel e o ativismo contrário apresente propostas de soluções nas ações, sem precisar denegrir, marginalizar ou desmerecer o “carroceiro” como mero catador de lixo. Não podemos classificar os carroceiros como malfeitores e os que não respeitam o bem estar dos animais, deve ser orientados e capacitados, para que respeitem códigos de conduta de cada cidade.

Com o desordenado número de carroceiros, o município de Nova Iguaçu, precisa de iniciativas para minimizar o crescente número, ordenar e valorizar essa atividade, que de alguma forma, é útil nas comunidades. Sendo exemplo de algumas prefeituras que citamos a seguir, enquanto isso, continuamos em nossas andanças.

· Campos/RJ – Visando regularizar a situação dos carroceiros, evitar multas e recolhimento das carroças e animais. A prefeitura cadastrou os carroceiros para ajudar e facilitar na limpeza do município e exigindo o cumprimento da legislação. Uma das finalidades da operação não era só regularizar a situação dos carroceiros, também a saúde dos animais, colocadas ferraduras e realizadas vacinações obrigatórias;

· Curitiba/PR – O “Projeto Carroceiros de Curitiba” recebeu até homenagem. Um projeto de extensão da Universidade Tuiuti do Paraná, que visa garantir o bem estar de cavalos utilizados por coletores de materiais recicláveis de Curitiba, o projeto possibilita que os cavalos de catadores realizem exames gratuitos ambulatoriais visando à saúde dos animais. Além disso, os cavalos são cadastrados e seus proprietários recebem informações sobre a melhor maneira de tratá-los;

· Distrito Federal/DF – Um Decreto foi publicado em 2006 e instituiu o “Projeto Limpeza a Galope”, no programa a intenção era manter a limpeza da cidade, preservar e conservar o meio ambiente e promover socialmente os carroceiros e as famílias deles. Pelo decreto, os carroceiros foram retirados do Plano Piloto e os veículos de tração animal só podem transitar nas vias públicas se estiverem registrados, licenciados e identificados;

· Maceió/Al – “Projeto Carroceiro Legal”. Desenvolvido pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), com o apoio do Ministério Público Estadual. A iniciativa visou melhorar as condições de trabalho e de vida dos carroceiros e de seus animais;

· Belo Horizonte/MG – Um projeto multidisciplinar da UFMG mudou a vida dos carroceiros e alcançou até reconhecimento nacional. Eles foram reconhecidos como profissionais, e puderam, inclusive, contribuir para o Instituto Nacional da Previdência Social como Carroceiros. Ganharam identidade, placa nas carroças e um amplo programa de atendimento a eles e a seus animais. Multidisciplinar, o projeto incorpora as escolas de Medicina e de Farmácia e a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. O Projeto “Solidariedade a galope” levar ao carroceiro a consciência profissional e destacá-lo como agente de preservação ambiental. O resultado positivo levou os carroceiros integrar, por exemplo, um programa de reciclagem de restos da construção civil;

· Ponta Porã/MS – Carroceiros que ganham a vida fazendo fretes na cidade são os maiores aliados e garantem a limpeza na área urbana da cidade. A Prefeitura cadastrou todos os carroceiros em um programa e que atuam na cidade. Só carregam cargas de entulhos, restos de materiais de construção e galhos de árvores podadas;

· Teresina/PI – Em conjunto com Associação dos Trabalhadores em Veículos de Tração Animal, no bairro São Joaquim, administrando cursos de capacitação profissional, como mecânica, marcenaria, carpintaria, pedreiro, eletricista e encanador. A prefeitura também ajudou na aquisição de novos animais para substituir utilizados pelos carroceiros e que tiveram que ser sacrificados em decorrência de enfermidades.

31 de maio de 2011

Novas andanças: Tração animal – Carroceiros de Nova Iguaçu (Parte II)


Foto de O Globo em 21/11/2008 - Pag. 11

Em 2010, a PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), através do NIMA – Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente, em parcerias com uma Estatal do petróleo e a Prefeitura de Nova Iguaçu, apresentaram livro com um belíssimo trabalho sobre educação ambiental, com riquíssimo conteúdo com o titulo “Formação de Valores Ético-ambientais para o Exercício da Cidadania no Município de Nova Iguaçu”. O livro trata da importância da formação de valores ético-ambientais na finalidade de construir conhecimentos a partir da realidade local. A perspectiva, da equipe do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da PUC-Rio, coordenada pelo Prof. Luís Felipe Guanaes Rego e demais professores dos Departamentos de Geografia, Direito, Serviço Social e Educação, era assumir a missão de estudar, conhecer e oferecer ao Município de Nova Iguaçu, estudos socioambientais que possibilitassem subsidiar os processos de construção da sustentabilidade local.
O livro trata especificamente das questões socioambientais. Na apresentação, o Professor Pe. Josafá Carlos de Siqueira, Reitor da PUC-Rio comenta os artigos e as observações (trabalho de campo) em análises de geógrafos, psicólogos, assistentes social, engenheiros florestais e educadores ambientais e estagiários de graduação.
Nos artigos não se encontra abordagens etnográficas de grupos existentes. Muito desses grupos étnicos e sociais foram esquecidos em Nova Iguaçu ou ganharam nova identidade regional, devido às emancipações, ocorridas desde 1943. Nova Iguaçu já foi muito maior do que é hoje. As diversas emancipações efetivaram as independências administrativas que marcaram a história da Baixada Fluminense. A localização, identificação e o resgate da valorização desses grupos, equivocadamente foram esquecidos, inclusive, dos carroceiros que prestam relevantes serviços nas comunidades, e são importantes, tendo em vista, que alguns fazem a coleta seletiva de materiais, contribuindo assim, com a preservação do meio ambiente. Auxiliando, inclusive, nas obrigações de limpeza urbana, como ocorreu em novembro de 2008, “substituindo” os garis grevistas (foto 1).
O destaque do livro são os artigos escritos por professores. Um que nos chamou a atenção é o da Professora Valeria Pereira Bastos, Assistente Social, Doutora em Serviço Social da PUC-Rio e responsável pelo trabalho social desenvolvido junto aos catadores do Aterro Metropolitano de Gramacho no município de Duque de Caxias desde 1996, onde se refere “A atividade de catação de lixo e o mercado informal: meio de vida ou a única fonte de sobrevivência dos catadores”. Nesse artigo escrito pela professora, aparece a palavra “carroceiro”, apontado por Maria da Conceição Tavares, sem definir se esse carroceiro utiliza a força motriz por um equídeo ou sua própria força física. No texto, há uma referencia explicita, o “carroceiro” como mero catador de lixo.
Talvez, tenhamos cometido um lapso no entendimento do termo. Para este blog, carroceiro é o trabalhador que usa a tração animal como “motor vivo” para um tipo de transporte. O “carroceiro” é um ofício diversificado e importante em uma comunidade.


Para o crítico, dicionarista, filólogo, professor, tradutor e ensaísta brasileiro, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, a definição para Carroça é: carro grosseiro de tração animal, para cargas; Carroceiro: condutor de carroça. Portanto, devemos definir o tipo de “carroça”, por ser multiforme e seu funcionamento se diferencia na forma de tração.

28 de maio de 2011

Novas andanças: Tração animal – Carroceiros de Nova Iguaçu (Parte I)


Carroceiros no transporte de materiais de construção - Estrada de Madureira - Nova Iguaçu

Durante as postagens de Novas andanças: Tração animal, fizemos leituras de algumas análises que tratam da valorização da identidade social. Víamos nas leituras, que a maioria dos autores, manifesta e acreditam nos valores fundados na história e, na maneira como interpretam, condicionam representações possíveis de futuro, sem ignorar o passado (históricos).
Então, é importante que se resgate símbolos que tenham marcado de forma efetiva a identidade dos lugares e de suas comunidades, inclusive, de ações que marcam ou marcaram o cotidiano de grupos ou famílias, que sejam referencias e que não tenha havido sedição na história.

Os avanços tecnológicos vão encurtando os espaços e rompendo fronteiras, essa situação tende-se a agravar, fazendo urgir de forma emergente à construção de modelos de gestão. Para construção desses modelos, é necessário fazer reconhecimento (possíveis) da realidade local, através da caracterização condicional em todos os aspectos (ambientais, econômicos e sociais), cumprindo assim, objetivos pretendidos por grupos existentes. Com isso, a integração entre a informação e a educação é vital para o sucesso de ações, e é na sala de aula que pode ser lapidado novos valores, capazes assim, de exercer formas críticas de cidadania, com conhecimentos da realidade do habitat de seus cidadãos para serem capazes de transformá-los para o melhor, contribuindo assim, para uma melhoria na qualidade de vida em geral, no entanto, sem esquecer em conservar velhos valores (saberes local) que se tornaram fontes, que podem ser raízes de suas origens, onde, essas “raízes”, pode ser caracterizadas como símbolo étnico cultural.

Procurando intender o crescimento e a desordem na utilização de animais como força de tração no Município de Nova Iguaçu, nos deparamos com fatores preocupantes, pois, dentre as conversas com utilizadores de animais de tração, descobrimos que a maioria tem baixa escolaridade e são oriundos de outras regiões do país. Outros fatos também chamou nossa atenção, alguns carroceiros confessaram trabalhar em lojas de materiais de construção sem registro empregatício e não são os donos dos animais com que trabalham, além de não está ligados a comunidades tradicionais, bem como, a atividade, como única fonte de sobrevivência, não ser considerada fator cultural e de importância econômica.

Conversamos também com estudantes da rede pública de ensino fundamental e médio (municipal e estadual), nos confessaram não saber nada sobre o tema e não se lembram de abordagens em sala aulas, mesmo que em raríssimas vezes, o assunto fosse sobre meio ambiente. Desses estudantes, um pequeno grupo alegou conhecer a atividade de carroceiro e ser filho de um.
Além de nossas andanças, procuramos escritos científicos que abordassem especificamente o tema, e não encontramos, se não matérias jornalísticas de ocorrência urbana e sem importância cultural.
Diante das dificuldades de informações, estabelecemos uma rota para buscar conteúdos, percorrendo primeiramente as áreas urbanas e depois as Unidades de Conservação e as consideradas rurais, que ocupam mais de 50% do município, para entender o que vimos e mostrar os resultados nas próximas postagens sobre os Carroceiros de Nova Iguaçu.

22 de maio de 2011

Novas Andanças – Tração animal - Charreteiros de Queimados e a retrospectiva da história – (Final)

Sabe-se que o século XVI foi início da colonização e desembarque dos primeiros animais domésticos em solo brasileiro. Há quem diga que em 1534, Ana Pimentel, esposa de Martim Afonso de Souza – trouxe vários na caravela "Galga". Escritos asseguram que naquela época o comandante Aires da Cunha introduzira em Pernambuco pouco mais de uma centena de equídeos (cavalos e jumentos) oriundos da Europa. Segundo historiadores, coube a Tomé de Souza, a caminho da Ilha de Cabo Verde, transportar a bordo de sua esquadra o gado vacum.
Muitas são as histórias sobre a utilização de animais, ocorridas durante a colonização brasileira, e que os motivos, eram para que esses animais fossem utilizados para a inclusão e expansão da pecuária, na lavoura, nas expedições bandeirantes e nos transportes em geral. Era com os equídeos que se atravessavam vales e montanhas. No lombo dos muares e dos jumentos, vale lembrar, os colonizadores abriram aquelas que seriam as primeiras estradas brasileiras.
Durante quase quatro séculos os equídeos ajudaram a povoar o sertão, levando o criador e o vaqueiro a se fixarem no interior, ao passo em que também tornavam-se meios de transporte. O surgimento de povoados e desenvolvimento das vilas e das cidades, portanto, muito deve ao trabalho, dos muares, dos eqüinos e dos asininos, embora esses animais nunca tivessem o justo reconhecimento por parte daqueles que lhes tanto exploraram.

Ainda no período colonial e inicio da era republicana, com a difusão dos veículos movidos a tração animal, eram comuns atos de abusos e maus tratos (desculpa de adestramento) cometidos pelos cocheiros, cavalariços e condutores, que eram impunes. Havia a indiscriminada utilização de equídeos, de instrumentos para a submissão dos animais, além das varadas e chicotadas, para que não esmorecessem em seus trabalhos. Vale lembrar, que até trinta anos antes da proclamação da República os bondes do Rio de Janeiro eram puxados por burros, e conduzidos por homens, que certamente, não deveriam ter conhecimentos técnicos dessa profissão.
Já naquela época, havia preocupação com os abusos com os animais. No inicio do século XX, foi editado pelo Governo Provisório o Decreto n. 24.645/34, proibitivo da prática de tratos aos animais. Dentre as condutas passíveis de enquadramento penal foram incluídas as seguintes: praticar ato de abuso ou crueldade em qualquer animal, golpeando-o, ferindo-o ou mutilando; manter animais em lugares e trabalhos insalubres; abandonar animal doente ou ferido; atrelar animais, em condições irregulares, nos veículos de tração, bem como infligir-los a castigos imoderados; utilizar dos serviços de animal enfermo e, se sadio, fazê-lo trabalhar sem alimentos suficientes.
De lá para cá, outras leis e decretos foram surgindo, mostrando preocupação com os animais e nada mudou. Nos dias de hoje, alguns municípios brasileiros, impõe proibições ao tráfego de animais de tração em áreas consideradas urbanas. Outros autorizam, mais não fiscalizam, ou simplesmente, não fazem um ajustamento (código) de conduta, visualizando o bem estar do conjunto (homem e animal), no objetivo de valorizar as questões sócio-culturais. Esses objetivos seriam alcançados se todas as obrigações fossem assumidas pelas prefeituras, envolvendo ações conjuntas entre os órgãos de desenvolvimento social, de saúde e de meio ambiente.

Sem dúvidas, há necessidade de controle da circulação de carroças e charretes mediante registro e cadastramento de animais e dos condutores, bem como, também uma análise sócioeconômica das famílias que dependem dessa atividade, os cuidados para com a saúde dos animais utilizados, a coibição dos atos abusivos e, finalmente, uma educação ambiental com transdisciplinaridade e transversalidade que faça despontar em estudantes do ensino fundamental, médio e técnico, não só sentimentos de compaixão, mais entender políticas públicas de proteção ambiental e dos animais, com reflexos sociais e pedagógicos no seio da própria comunidade, inclusive, aquelas atividades que se tornaram culturais.
Não se pretendendo, com isso, proibir a circulação pública de carroças e charretes, nem criar embaraços para que pessoas simples possam sobreviver a seu modo. O que se espera, é que as municipalidades, assumam suas responsabilidades sociais para com os cidadãos que vivem do subemprego, de modo que no futuro ninguém mais precise explorar animais para garantir o próprio sustento.

Visitas técnicas às famílias dos carroceiros e os cadastramentos individuais permitiriam um diagnóstico do problema, priorizando-se a capacitação profissional do desempregado e a inclusão em programas assistenciais.
Com isso, também, se permitiria a identificação do animal usado no veículo de tração, que deverá passar por periódicas avaliações veterinárias e zootécnicas (serviço gratuito). Sua correta aplicação também desestimularia os maus tratos (voluntários e involuntários) dos animais, que por sua natureza, oferecem serviços e estão inclusos em funções produtivas (econômicas e sociais) úteis ao homem em todos os aspectos.

19 de maio de 2011

Novas andanças: Tração animal – Charreteiros de Queimados (Parte VI)

Apesar de que muitos questionam e não ver relevância social e econômica na atividade de charretes como transporte, pelo menos, os parâmetros culturais devem ser discutidos. Não se pode intervir numa atividade, que é notória e que a cada dia vem se tornando cultural, mesmo sem apoio técnico, orientações básicas de manejo dos animais e de outras responsabilidades.
Todos os aspectos devem ser estudados, buscando soluções e colocando a prática num ajustamento de conduta, a garantir não só o bem estar dos animais, mais também, visando a importância e a sobrevivência dos trabalhadores dessa atividade; no meio turístico, em áreas rurais; no meio urbano, como transporte alternativo.

Em nossas andanças, vimos inúmeras irregularidades, tão aparentes, que não precisa ter conhecimento técnico para perceber. Logicamente, algumas carecem de bom censo dos utilizadores dos animais, como por exemplos, evitar “manqueira” por incorreções dos aprumos e dos cascaqueamentos mal feitos e menor frequência da troca das ferraduras gastas; não colocar em atividade animais com rigidez muscular, que provoca dor insuportável pelo excesso de peso e alta jornada de trabalho; animais tronchos, por alta infestação auricular de ectoparasitas (carrapatos). E como isso seria evitado? Com o apoio técnico, orientação com capacitação e um termo de ajustamento de conduta para se cumprir.

Segundo Hotang (1989), o cavalo não pode dizer que se sente mal, mas exprime seu estado, seja uma simples indisposição ou uma dor aguda, através de atitudes que é preciso ser reconhecida, a maioria deles mantém a cabeça baixa, o olhar melancólico e o apetite reduzido. Mostra-se particularmente fraco e fadigado no trabalho. Foi o que notamos na maioria dos animais do Município de Queimados, que não tem comportamento vivaz, são lentos nos intervalos entre as viagens, no que fica difícil diagnosticar o motivo, se por cansaço ou enfermidade. A aparência prostrada em alguns animais é digna de preocupação e exames clínicos detalhados por um veterinário, devem ser feitos para se saber as causas.
Não pudemos fazer perguntas aos charreteiros sobre o manejo profilático dos animais. Como já justificamos anteriormente, foi uma visita para reforçar no nosso conhecimento e visão técnica, não cabia formalismo, além de alguns aspectos, merecer uma assistência técnica especifica em nível superior.

Descrevemos aqui a nossa visão e comparando com conversas informais com os charreteiros, notamos que os animais com comportamento prostrado, 30% são machos, a maioria de seus donos não sabem suas idades. A aquisição desses animais, na maioria das vezes é feita em “rolos”, e são direcionados apenas para o trabalho em charretes. Quando perguntados sobre as femeas, foram reticentes nas respostas, a maioria não tem conhecimentos sobre o controle reprodutivo, “As éguas fica prenha e pari mesmo no pasto” disse um charreteiro, o que demonstra na resposta, desconhecimentos e que não há uma preocupação no processo de reprodução para fins econômicos, e os que nascem, são colocados precocemente no trabalho.

Quanto à alimentação, a nossa frente, ofertarão aos animais um tipo estranho de alimento. Perguntamos o que era aquilo, a resposta foi, “esta sopa é uma mistura que damos na hora dos descansos”.
Muitas foram as perguntas para tentar intender a demanda de irregularidades e não cabe detalhar aqui, apenas citaremos e ilustraremos com algumas fotos (abaixo do texto)), os tópicos preocupantes que comprometem o bem estar dos animais e que são necessárias as correções, para se manter aquela atividade como serviço importante a comunidade, sem questionamentos e contestações.

Não cabe aqui, fazer recomendações, mais é necessário, por parte dos charreteiros, evitar a suposição de conhecimento de manejo, pois muitas atitudes não correspondem à realidade encontrada. A prática nos parece ser, baseadas em informações adquiridas através do tempo e de fatos ocorridos por outros, no que os resultados refletem nos problemas observados, sobre tudo, na sanidade dos animais e nos equipamentos.

Condições de higienização do local de trabalho

Falta de manutenção das charretes

Local de descanso próprio ou cocheiras publicas para os animais

Cochos ou vasilhames individuais para administrar água e alimentos

Controle de ectoparasitas

Para os comentários dessa matéria agradecemos a atenção dos charreteiros e nos parênteses seus animais.

Ubirajara (Boneca); Tiago (Orelhinha); Anderson (Branquinha); Daniel (Mimoso); Mezenga (Moreno); Zé Carlos (Beleza e Brancão); Kátia (Mestiço); Liliane baixinha (Catarina); Alexsandro (Bainho); Lula (Prata); Russo (Queimadinho); Claudinho (Maria); Daniel Gomes (Estrela); Naiba (Fiel); Assis (Forró e Ceguinho); Cezar (Tiziu e Passo longo) e Eduardo Santos (Pretinha).


16 de maio de 2011

Novas andanças: Tração animal – Charreteiros de Queimados (Parte V)

Os serviços de transporte por tração animal (carroceiros e charreteiros) nas áreas urbanas nos municípios brasileiros merecem atenção especial, por sua importância econômica e social, o município de Queimados no Rio de Janeiro está nesse contexto. Classificado por alguns como ”um mal necessário” e repudiado por defensores de animais, essas atividades, especificamente, não pode deixar de ser uma questão cultural, pois é típico da sociedade, mesmo com os avanços tecnológicos e melhoramento nos tipos de transportes, mais que, no entanto, não atingem a todos, sobre tudo, pela falta de educação escolar, capacitação profissional e altos índices de desemprego. Os grandes centros sofrem com o exame de “incapacitados”, vindos dos municípios, que buscam oportunidades profissionais que não são capazes exercer. O êxodo rural contribui com esse exame, também por incapacitação e da falta de escolaridade. A agroindústria e agropecuária se expandem e há deficiência de mão de obra para esses setores, e isso é fato.
Quando visitamos os Charreteiros de Queimados, podemos confessar aqui, foi por curiosidade, diante da popularidade da atividade, mais logicamente, não podíamos deixar de aplicar a nossa visão técnica, havia um interesse em particular, pois quando estudante do CTUR/UFRRJ, os Equídeos era o tema principal, na disciplina Grandes Animais, muito da realidade nos faltou e seria importante buscar mais conhecimentos, para aprimorar os transmitidos em sala de aulas.
Então, para defender e mostrar as nossas opiniões sobre a importância econômica dos Charreteiros do município de Queimados, fomos buscar essa “realidade”, traçando o perfil desses bravos “trabalhadores” (homem x animal). Referimo-nos apenas aos que trabalham com o transporte alternativo, não há estatística do número de carroceiros que prestam outros serviços e mostrar aqui também a sua importância. Foi preciso interagir, com os charreteiros e usuários, isso nos foi permitido. Por isso mostramos aqui a nossa visão, confeccionamos gráficos, mais não mostraremos aqui as ilustrações.


Numa ordem de 100 – as divisões etárias dos Charreteiros, assim são distribuídas: 30% estão entre 30 a 40 anos; 25% entre 20 a 29 anos, 25% entre 41 a 50 anos; 15% menores de 20 anos e 5% acima dos 50 anos.

Mais de 60% possuem filhos, o que nos mostrou preocupação, 30% deles os filhos estão na faixa de 11 a 15 anos; 25% entre 16 a 20 anos. 15% dessas duas faixas trabalham e 5% na atividade de charreteiros. Os da faixa de 11 a 15 anos, mesmo frequentando a escola, 1% trabalham como charreteiros, no que contraria a lei.

Quanto à escolaridade, 35% tem ensino fundamental incompleto; 30% com ensino médio incompleto; 15% analfabetos completos; 10% analfabetos funcionais e 5% com ensino médio completo.

Quando perguntamos o porque da opção em trabalhar como charreteiro, a justificativas foram as seguintes: 35% justificou a falta de escolaridade para a capacitação para outras atividades; 40% por empregos que exigem profissionalização; 20% a falta de empregos no município e 5% alegam os baixos salários, insuficientes para o sustento de suas famílias, acrescentando a distancia da capital e o preços das passagens.

Há um grande impacto econômico da atividade, 90% tem a atividade de charreteiro como única fonte de renda para o sustento da família; 10% exercem outra atividade e como charreteiro somente nos finais de semana e feriados. Todos residem e são contribuintes de impostos no município e gastam 100% do faturamento no comércio local, inclusive com insumos de suas atividades.
Quanto aos usuários do transporte (passageiros), 100% aprovam. Foram confusas as respostas, tendo em vista, as justificativas: 50% mostram preocupação com o bem estar dos animais, mais alegam necessitar do transporte; 20% não trocariam o tipo de transporte, diante do preço da passagem e a regularidade nos horários; 15% usam, mais mostram preocupação com a segurança pela falta de manutenção das charretes; 10% acham úteis e práticos; 5% acham que deveria estender o serviço para outros bairros e gerar mais mão de obra.
Uma grande preocupação foi notar (não confessaram), o excesso de horas na jornada de trabalho e a execução em outras funções, se não o de transporte de passageiros, por um único animal para outras cargas: materiais recicláveis, mudanças, material de construção, lixos e entulhos. Isso, falaremos no próximo post.


Tração animal – resposta para os comentários


Foto tirada no Texas - USA, por Richard Rowan - 1989

Não terminado ainda, a série sobre Novas Andanças-Tração animal, e mais uma vez estamos interrompendo para responder os e-mail’s recebidos. No inicio da série, já justificamos a nossa visão sobre a importância econômica e cultural do uso de equídeos utilizados como força motriz. Justificávamos também, não ser especialista para discutir aspectos jurídicos, sociais e pedagógicos sobre o tema. Para aqueles que se manifestaram contrários ao assunto, com seus comentários, sejam no mínimo, descentes em divulgar o nome e sua formação, para que a opinião seja publicada e respeitada.
Este blog é público, e diante dos conteúdos tornou-se fonte de interesse estudantil. Não somos porta-vozes de oprimidos ou daqueles que se descartam da sociedade, não escrutamos e não divulgamos assuntos que não sejam próprios e que não vá além de nossa formação (ensino médio técnico). Não temos o poder de deferir ou indeferir opiniões, somos defectíveis, por isso, temos afeição a todos que acessam este blog e que tecem também as suas opiniões, por tanto, o respeito deve ser recíproco.
Como reposta, não vejo nenhum defensor (nem apresentam soluções), além de só contestar, a aceitar que nos dias de hoje, a exploração de animais de tração pode ter decorrido das desigualdades sociais que gerou e gera pobreza. Estes, que não aceitam a tese de que esse produto é cultural e resultado de um sistema público educacional falho; que ao longo de mais dois séculos, não alcançou a todos, sobre tudo, os desafortunados; que isso poderia ter sido combatido e resolvido, se justa a distribuição de renda; se interesses e programas de governos fossem sérios; que os “ratos” não roessem os cofres públicos deste a colonização; que fosse ofertado ao homem marginalizado à possibilidade de participar dignamente do mercado de trabalho, resgatando-lhe a cidadania perdida e diminuindo, consequentemente, os índices de exclusão social.

Ninguém tem o direito de julgar os atos falhos do homem, mesmo que estes atos se tornem cultural numa sociedade. Ao mesmo tempo que oprimia com trabalho escravo a sua própria espécie, valorizavam e acariciavam os seus animais. Fizeram fortunas com as opressões, os atos falhos ainda não foram corrigidos e tornando-se históricos.
Muitos que contestam aqui a nossa opinião, estão agora se escondendo atrás de uma ONG, gabinete ou escritório, já pensando no final de semana, sair das mansões e ir para suas fazendas ou de um amigo em carros de luxo, ansiosos para cavalgar em caríssimos alazões e depois almoçar um bom churrasco, sem levar conta de que, mesmo com suas fortunas, sem os seus serviçais capacitados ou não e maus remunerados, nada teria sentido, inclusive suas opiniões.

Foto tirada em Goulimine - Marrocos, por Kate Bader - 1989

Os afortunados por seus intelectos:

"Eu tenho pelos animais um respeito egípcio. Penso que eles têm alma. Ainda que rudimentar, e que eles sofrem conscientemente as revoltas contra a injustiça humana. Já vi um burro suspirar como um justo depois de brutalmente esbordoado por um carroceiro que atestara o carro com carga para uma quadriga e queria que o mísero animal o arrancasse do atoleiro" (José do Patrocínio - 1854-1905) - citação de João Guimarães, no livro "Patrocínio, o abolicionista", Edições Melhoramentos, São Paulo, 1967.

A mulinha carregada de latões
vem cedo para a cidade
vagamente assistida pelo leiteiro.
Pára a porta dos fregueses
sem necessidade de palavra
ou chicote.
Só não entrega ela mesma a cada um o seu litro de leite
para não desmoralizar o leiteiro.
Sua cor é sem cor.
Seu andar, o andar de todas as mulas de Minas.
Não tem idade – vem de sempre e de antes –
Nem nome: é mulinha do leite.
É o leite, cumprindo ordem do pasto.
(Poema de Carlos Drummond de Andrade)

Foto tirada em Seropédica - Brasil, por Valter Barbosa- 2004

Estamos prontos para o trabalho. Branquinha, Beleza e Mestiço pastaram e comeram as suas rações, já estão no ponto esperando os passageiros. Eu ainda estou de jejum, nessa vida também sou passageiro e não estou pronto ainda para a viagem.
(Palavras de um charreteiro do município de Queimados)

13 de maio de 2011

Novas andanças: Tração animal – Charreteiros de Queimados (Parte IV)

Antes mesmo de opinar sobre a importância econômica da atividade de Charreteiros no Município de Queimados no Rio de Janeiro, cabe-nos aqui fazer uma breve transcrição da demografia desta cidade e depois colocar a nossa visão técnica.

Emancipado em 1991 do município de Nova Iguaçu e integrado a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o município de Queimados (Baixada Fluminense) ocupa uma área aproximada de 76,921 Km2, margeado pela Presidente Dutra (Km 196,5 sentido Rio x São Paulo - principal acesso), uma das mais importantes rodovias do Brasil, com sistema viário e ferroviário e dado a “proximidade” com a capital torna-se importante. Esta cidade cresce a cada dia em serviços públicos, comércio, indústria e população, por não ter divulgado a oficialização de reforma urbana (não tivemos acesso aos dados) é considerada ainda como área rural (mais não tem expressão na produção agrícola). Como qualquer outra cidade, também tem suas deficiências, como exemplo, no transporte local. Pela distancia do centro e difícil acesso para alguns bairros, por falta de pavimentação, interesse empresarial e politico, alternativas vão surgindo desordenadamente, mesmo que alguns tentam se organizar e regularizar nos moldes da lei (moto táxi e kombis). Entre as alternativas utilizadas pela população para locomoção no município de Queimados é o uso de bicicletas e transportes tracionado por equídeos (carroças e charretes).

O tradicional e mais popular que serve os munícipes, são as 60 charretes puxadas por cavalos, circulando das 03h30min às 23h30min, todos os dias, num trecho de 15 km, do centro ao bairro Nova Cidade (ida e volta), que dura em média 25 minutos, sendo atendidas (segundo os charreteiros) cerca de 500 pessoas, custando Cr$ 1,00 (Hum real) por passageiro. Este “serviço de alta rotatividade” em particular, além de importante, desperta curiosidade e tornou-se uma atração, sendo objeto e inspiração de “escritos” jornalísticos, estudantis, literários e científicos. Emboramente existente por mais de 50 anos, a atividade de Charreteiros do município de Queimados, ao contrário do que se divulgam, não tem uma regulamentação própria. É amparado apenas pela Seção V - Artigo 16 (partes I ao VII) da Lei Ordinária n° 393 de 03 de maio de 1999, que Institui o Código Ambiental do Município de Queimados.

Com o consentimento de alguns trabalhadores charreteiros, fizemos uma averiguação “oficiosa” nos animais, no que concerne ao escore corporal, tratamento utilizado para o manejo de tração, cuidados com alimentação, equipamentos e manutenção, instalações e ambiente para o repouso dos animais. Não fizemos questionários, aplicamos apenas a nossa visão técnica para melhor analisar a importância econômica da atividade naquele município. Pelo que constatamos, carece de orientações básicas para a preservação da sanidade e bem estar dos animais, a garantir a prestação do serviço e manter a tradição, pois apesar dos esforços, são aparentes algumas irregularidades, especialmente, no manejo alimentar, excesso de carga e horas de trabalho. Corrigido isso, evitaria a contestação de ambientalistas e defensores, contrários ao uso de animais para a força motriz, que não consideram os embasamentos científicos com a realidade local.

No próximo post, faremos uma breve abordagem do que apuramos do perfil sócio econômico e demográfico dos trabalhadores charreteiros do Município de Queimados e tecer alguns tópicos da caracterização dos animais, comparando e de acordo com algumas obras publicadas de dados zootécnicos e veterinários e do que apuramos no local.



7 de maio de 2011

Novas andanças: Tração animal – (Parte III)

Nossa visita no ponto de charretes de passageiros - Município de Queimados/RJ

Antes mesmo de expor aqui a nossa visão da importância econômica dos Carroceiros e Charreteiros, devemos antes de tudo, fazer algumas citações para melhor ilustrar o que vamos mostrar nas próximas postagens em relação à utilização dos Equídeos como “ferramenta” de trabalho.

Como afirma o Professor Otavio Domingues (Introdução a Zootecnia, 1960), os animais domésticos vivem e se multiplicam graças às funções fisiológicas peculiares aos órgãos de que são constituídos, e algumas dessas funções podem ser utilizadas pelo homem, que passou a tirar delas determinado proveito. Essa função resulta de uma utilidade ou serviço para o homem ao longo dos tempos, desde a sua inicial existência, são chamadas funções produtivas ou funções econômicas, ou ainda, funções zootécnicas.
A função econômica ou produtiva, nada mais é do que uma função que dá margem a uma utilidade para proveito do homem. Hoje, através do avanço da ciência, respeita-se o bem estar animal, ampliando mais a utilidade do próprio animal e também ao homem. Um bom exemplo, a função da qual resulta a força motriz.
É o caso do aproveitamento do Cavalo, do Jumento e seus híbridos. Dos híbridos, os Muares como “motor vivo” para transporte ou tração. Além desses, o Boi, o Búfalo, o Camelo, a Rena e até o Cão em menor escala são empregados.

O Professor Valter Barbosa de Oliveira (Muares: Tema Transversal para o Ensino Médio e Técnico em Agropecuária, 2ª Edição – 2007) – A pluralidade cultural com os muares - Propõe a possibilidade de desenvolver uma educação com valores culturais regionais no ensino médio de nível técnico, pois é impregnada a matéria dos saberes. Dentro de um estudo multidisciplinar pode-se, por exemplo, fazer um planejamento onde a interdisciplinaridade e transversalidade proporcionem uma abordagem sobre os muares como tema transversal juntamente com as disciplinas do ensino médio, utilizando exemplos práticos de assuntos relacionados, no caso, os muares. Como bons exemplos disciplinares citados: nas Ciências da Natureza, a disciplina Matemática e suas Tecnologias, podem-se desenvolver cálculos de áreas, necessárias para a construção de instalações zootécnicas, formação de pastagens, cálculos de ração para a alimentação dos animais, evolução do rebanho e volume de água consumida; Na disciplina Química, podem-se estudar as reações de fermentação durante o transporte de forrageiras; na disciplina Física, pode-se conceituar e exemplificar os movimentos de força na tração, carga e serviços, o efeito do calor da radiação solar sobre o leite transportado em carroças e na área de Ciências Humanas e suas Tecnologias, a disciplina Geografia pode abordar a utilização dos muares nos contrastes topográficos, sua ocupação e também o seu desenvolvimento territorial.

Na mesma contextura disciplinar, o Professor Airton Antônio Castagna (aulas de Agroecologia/Zootecnia/FAGRAM), nos explicava que a agroecologia como produção científica, surgiu (1970) como ciência multidisciplinar, preocupada com a aplicação direta de seus princípios na organização social e no estabelecimento de novas formas de relação entre sociedade e natureza. Citava André Voisin, que dizia que a agricultura é "a ciência das condições locais" (produtividade do pasto). Quem atua neste setor, em especial são aqueles com formação específica em universidades, e não podem ignorar as peculiaridades locais, sob pena de cometerem, como muitos cometem, erros derivados da pretensão de quererem ambiente, econômico e ecológico, adaptado à tecnologia e não o contrário.

Aspectos sociais devem ser considerados e respeitados, pois deles, também, propõe-se o conhecimento dos “saberes local” e a sua conexão com conhecimentos científicos, e a utilização dos equídeos, pode ser sustentável, socialmente justo e economicamente viável.

5 de maio de 2011

Novas andanças:Tração animal - (Parte II)

Charrete - Ilha de Paquetá - Rio de Janeiro

Antes mesmo que pudesse prosseguir com essa série, já recebemos e-mail’s e comentários contestando a utilização e o aproveitamento da força motriz de animais. Não cessaremos as postagens e não publicaremos os comentários.
Quando resolvemos postar aqui a série Novas andanças: Tração Animal, sabíamos que poderia ser um assunto delicado, se não polemico. Logicamente e se perceber, que não é contestação de abordagens que falam sobre o tema, mais cabe analisar algumas, tendo em vista á várias visões e opiniões, sobretudo, nas publicações cientificas. O tema é de grande interesse estudantil, pois nele é que se adquiri conhecimentos através da interdisciplinaridade. Segundo Sanchez (2002), na interdisciplinaridade, é exercido diferente domínio da atividade humana cientifica, técnica profissional e acadêmica.
Em Novas andanças: Tração Animal, trataremos apenas, o que pode ser chamado de “exercício da atividade técnica profissional”. Entendemos que nesse contexto, está inserida, a ênfase da importância econômica e da pluralidade cultural dos animais domesticados do gênero Equus, (equinos, asininos e os muares). A pluralidade cultural é um dos temas transversais propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN/MEC). Como a sociedade brasileira é formada por diversas etnias, o desafio é respeitar os diferentes grupos e culturas que compõem o mosaico étnico brasileiro, incentivando o convívio dos diversos grupos e fazer dessa característica um fator de enriquecimento cultural econômico.
A pluralidade cultural é um tema especialmente importante. Para os muares, Oliveira (2006) opina, que em todas as modalidades e serviços o interrelacionamento e a misturas de culturas reforçam essa pluralidade, pois em todas as modalidades, tipos e serviços em que são utilizados, observam-se excelente desempenho produtivo, além da geração de milhares de empregos e riquezas, nas fabricas de insumos, de selarias, de carroças, implementos agrícolas, na lida com o gado e no transporte de variadas cargas. Estão presentes no transporte de alimentos, nas cavalgadas, feiras de exposição, concursos de marchas, romarias religiosas, no esporte, lazer e estudos científicos.
Nos grandes centros urbanos, uma das atividades que mais cresce é a utilização de equínos de tração para o recolhimento e destino do lixo e entulhos produzidos. Dessa forma, o animal de tração surge como uma ferramenta de trabalho indispensável, cuja saúde e longevidade devem ser observadas (Rezende, 2004). Como consequência, os animais são exigidos acima de seus limites naturais (Goodship e Birch, 2001).
Na atualidade, discutem-se e citam-se apenas os “equinos” na utilização de animais de tração no âmbito rural e urbano, como uma alternativa mais econômica. Nas literaturas consultadas, não foram encontrados trabalhos consistentes que englobassem os equídeos e que pudesse ser discutida a relação à sua utilização no ambiente urbano (carroceiros e charreteiros) e à interação saúde e carga de trabalho do conjunto (animal e homem). As características apresentadas por um animal de trabalho são o produto de vários fatores aos quais ele está submetido, como clima, manejo, treinamento, tipo de arreamento, superfície de trabalho e genética (Jones, 1987). A idade, a conformação inadequada, o casqueamento incorreto (Ruohoniemi et al., 1997), a nutrição, o condutor do animal e a finalidade (salto ou tração).
No Rio de Janeiro, nos “dias de hoje”, os equídeos, são utilizados até como opção no transporte regulamentado e alternativo de passageiros, como é o caso do município de Queimados. Entrega de materiais de construção nos bairros do município de Nova Iguaçu e no centro histórico de Paraty. Transporte de moradores, turistas e forrageiras para os animais de trabalho e de montaria de policiais militares, na segurança da Ilha de Paquetá.
Portanto, a importância econômica dos equídeos, não é desprezível para o desenvolvimento do país, mesmo em pleno século XXI, com todas as tecnologias. É preciso que essa importância seja vista e revista, pois ainda, no lombo dos equídeos a economia do País, caminha a passos firmes como é de suas características.

Policiamento - Ilha de Paquetá

Charrete na utilização do transporte de forrageiras